7 de setembro de 2011



«O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso aprende-se antes de entrar na escola. Se perguntar às crianças, ouvirei também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Se perguntar aos adultos, descubro a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença. O que seria preferível, que a pessoa que amo passasse a odiar-me, ou que eu lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de me fazer mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da minha existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro. Para odiar alguém, precisamos de reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar alguém dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objecto do ódio, necessitamos dele nem que seja para lhe dedicar o nosso rancor, a nossa raiva, a nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.»

6 comentários: